8 de agosto de 2008

'Verdades a granel' por Adriana Calcanhotto

"Tenho por princípios
nunca fechar portas,
mas como mantê-las abertas
o tempo todo
se em certos dias o vento
quer derrubar tudo?"


* Ilustração de Luiza Porto. Veja outras no blog Meu outro eu *

7 de agosto de 2008

'No gargalo': Você ainda vai cruzar com um...

Pode demorar, mas a gente acaba esbarrando com eles. Afinal, estão em todos, eu disse TODOS os eventos que tenha o vinho como motivo. Sim, os apaixonados pela bebida estão nessa leva, mas me refiro aos enochatos. Êta pessoal enjoado! O pior de tudo é que eles não percebem o quanto são inconvenientes.

Sempre com ar arrogante e posando como se conversassem com Baco a qualquer instante, eles têm o dom de tirar o prazer do bebedor ao lado. Não podem ver ninguém elogiando sua taça que, sem piedade, começam a criticar e dizer que já beberam uma safra muito, muito melhor do que aquela que o coitado tá gostando tanto.


À essa altura, se a vítima não tiver espírito para deixar de lado o comentário não solicitado, pode começar a se achar um bobo. E as características que o enochato é capaz de achar num vinho??? Um dia, ouvi um exemplar da espécie dizendo que determinado vinho tinha aroma "de capim limão cortado". Até aí, ainda vai, mas ele extrapolou: era "capim limão do quintal da casa da avó dele no verão". Meu Deus, dai-me paciência!

Outro dia, eu estava numa festa ótima, com vinhozinhos, cervejinhas e caipirinhas rolando de lá pra cá. Não era o ambiente para se beber, digamos, "criticamente" porque o vinho não era a estrela da festa. Mas é claro que o nosso enochato não deixou por menos: Quando o garçom veio servir novamente sua taça, a figura sacou do bolso um termômetro. Sim, um termômetro para ver se a temperatura do vinho estava correta. Todo mundo sem graça, mudo, o garçom sem saber o que fazer com aquele homem colocando o apetrecho na garrafa. Deus do céu, precisa disso? Claro que não! Como já disse, ninguém estava num encontro técnico ou coisa parecida.

Essas abomináveis criaturas só colaboram para que as pessoas se distanciem do vinho, fazendo com que não se sintam capazes de ter prazer com essa bebida maravilhosa. O bom bebedor de vinho, o enófilo de verdade, não se exibe com os caldos que bebeu. É mais ou menos como um cara legal que não vive se mostrando para os amigos por causa das mulheres que namorou. Há de ter elegância...

Caro colega de taça, desconfie sempre do sabichão que não aceita críticas, do pedante que já bebeu de tudo e do dono da verdade que não aceita a sua opinião. Beijos e até a próxima!

* Ilustração do site Seu restaurante e foto de Chris Stein *

6 de agosto de 2008

Carmen Slawinski expõe no Parque das Ruínas

Taí uma exposição imperdível para quem se encanta com uma iluminação bacana como eu. A artista plástica Carmen Slawinski faz essas interferências super bonitas em lugares que a gente passa toda hora, como este velho armazém de Santa Teresa na foto abaixo; a fachada do Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro, e o túnel da Rua Alice, em Laranjeiras. O novo trabalho dela transformou o Parque das Ruínas. Quer ver? A mostra 'Contenções' fica em cartaz até 5 de outubro e pode ser visitada de terça a domingo, das 8h às 20h. Grátis.

Com esta exposição, a artista dá continuidade às suas interferências urbanas. "As ruínas tecem o fio da meada da memória quase perdida", diz Carmen. Ao todo, são quatro interferências nas ruínas. "Centenas de delicados fios de lã, esticados em planos, serão banhados por luzes vermelhas. Ao olhar as grandes estruturas formadas, vai ficar no ar a impressão de que a luz emana dos fios em brasa", explica a artista.

Feixes de lã branca definem planos que se cortam. Há fios mudando a arquitetura da casa, outros criando uma coluna que, ao ser acesa, transforma a delicadeza da lã em fios eletrizados. No grande espaço com pé direito de doze metros, fica o ‘Colosso’, que vai do teto ao chão. Todas as peças receberão luz vermelha localizada. Na sala de exposição, são projetadas fotos noturnas das intervenções para quem visitar o espaço durante o dia, além de registros fotográficos dos trabalhos anteriores de Carmen.

Sobre a artista, escreveu a célebre pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (1908 - 1992), uma de suas principais incentivadoras: "Se eu tivesse um espaço a construir, para lhe dar vida, instalaria as tempestades de cor de Carmen, os ventos de todas as direções, os sinais estranhos das florestas do norte do país, as quedas d´agua e as noites de lua cheia".

* Fotos de divulgação *

O espírito olímpico por Naila Oliveira

Fomos estagiárias do Jornal do Brasil - e depois, editoras de conteúdo - na mesma época. Chegamos a trabalhar na mesma editoria, embora nossas áreas de interesses fossem bem diferentes. Eu queria escrever sobre música brasileira e às vezes estranhava o fato de ser repórter de economia; ela gostava de acompanhar a Bovespa, o Nasdaq e aqueles índices todos, mas flertava com esportes. Assinamos boas reportagens juntas e, sim, apesar da inexperiência, alguns de meus melhores textos também datam dos anos apaixonados do JB.

Reproduzo aqui a abertura de um texto que a amiga Naila Oliveira (foi ela quem me levou pra Globo.com depois), escreveu nas Olimpíadas de Sydney, a pedido de um editor:

Maratona feminina dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, Estados Unidos, 1984. Ela entrou no Coliseu cambaleante, o corpo curvado e tombado para a esquerda. As pernas tortas pareciam que não iriam suportar o peso daquela atleta de 39 anos. Os braços mexiam lentamente, num compasso desordenado. A expressão no rosto era de dor, sofrimento e ansiedade. A mesma que se verificava nos rostos perplexos de cada um dos cerca de 80 mil espectadores que estavam presentes no estádio. E a suíça Gabrielle Andersen-Schleiss continuava no seu passo lento e sofrido. Apenas os últimos metros a separavam da linha de chegada, depois de percorrer outros 42 mil. Parecia impossível chegar lá. Médicos e auxiliares tentaram tirá-la da pista, mas, num esforço supremo, com todas as forças reunidas, ela repelia os gestos de salvamento. Queria vencer o seu limite. Exausta, desidratada demorou mais de sete minutos para percorrer os últimos passos de seu destino. Sete minutos que pareciam horas para seus compatriotas que ligavam incessantemente para as redes de televisão para pedir que a tirassem da pista. Não podiam, Gaby queria chegar ao final. E conseguiu. A linha de chegada foi a fronteira para o colapso e depois para a História. A estréia da maratona feminina em Olimpíadas não escreveu o nome da campeã - a norte-americana Joan Benoit - nos anais das glórias olímpicas. Lá está registrado o de Gabrielle Andersen-Scheleiss, a 37ª colocada. A imagem do sofrimento e da perseverança da suíça continua sendo transmitida, mesmo depois de 20 anos. Ela demonstra a vontade de vencer os seus limites para representar o seu país. O verdadeiro espírito olímpico, que fica adormecido e acorda de quatro em quatro anos.

Atualmente, a Naila está em Brasília dedicando-se ao Ministério do Trabalho. É gostoso lembrar que nós, Adriana Bittencourt, Sheila Machado, Elisa Travalloni, Clara Leite e outras pessoas queridas éramos as promessas do jornalismo carioca nos tempos de Avenida Brasil. Quanta saudade daqueles sonhos!

Para ler o post na íntegra (faça isso!), vá ao sempre ótimo blog Final de Namoro

* Foto de arquivo *

5 de agosto de 2008

Adoniran é celebrado na semana dos 98 anos

Amanhã faz 98 anos de nascimento do cantor e compositor Adoniran Barbosa, autor das memoráveis "Saudosa maloca" e "Tiro ao álvaro", entre um baú de preciosidades. O sambista era paulistano, mas o aniversário vai ser comemorado por cariocas: O grupo Nóis Num Semos Tatu recorda a obra de Adoniran em mini-temporada desta noite a sábado, 9 de agosto, no Rio Scenarium.

Eu sempre me divirto horrores com essa rapaziada - Robson Camilo e Roberta Garcia nos microfones, mais o violonista Marcelo Pacheco, o cavaquinista Filipe Lage e os percussionistas Juran Ribeiro e Fábio Luiz. O diferencial, que o release não revela, é o set que eles criaram só com músicas bregas: de Agepê a Benito de Paula, uma comédia só!

Sobre o grupo, escreveu Maria Helena Rubinato, filha do homenageado: "Nóis Num Semos Tatu é um grupo carioca com alma brasileira e talento universal. Sou grata a eles pela homenagem que fazem a meu pai. Eles têm ginga, sensibilidade de reinterpretar, sem descaracterizar, as letras que Adoniran criou".

* Foto de divulgação *

4 de agosto de 2008

MPB Player: por uma web mais musical!

Estreou dia desses o blog MPB Player, que está sob os fones e teclados dos amigos Leonardo Lichote e Rodrigo Pinto, no Globo Online. Dei uma 'folheada' breve porque a agenda está gritando de trabalhos aqui, mas quero registrar que tô super feliz com o lançamento desta página com volume. Em três compassos:

1. Essa é uma antiga idéia do Rodrigo e, entusiasmado como ele é, deve estar só sorrisos;
2. O texto do Leo é fabuloso e agora vamos ter mais reportagens dele para saborear;
3. Ganhamos todos um novo canal para se discutir música inteligente com pessoas e de modo idem!

O link vai pros meus favoritos: http://oglobo.globo.com/blogs/mpb/

Visitem! E parabéns, meninos! ;)

1 de agosto de 2008

'Uma risada que só ela tem'

A Farofa me levava ao cinema, em Madureira, quando eu era apenas uma garotinha curiosa. E como nos divertíamos com pipocas, refrigerantes, 'Os Trapalhões', 'Loucademia de Polícia' (todos) e congêneres! Ela também me levou ao primeiro show no Canecão, em meados dos anos 80. Era a 'Blitz' de Evandro Mesquita e Fernanda Abreu. Ah, isso vai ganhar nota de rodapé na minha biografia: a prima é culpada por eu me chamar Monica Cristina Ramalho Cunha. De onde saiu esse maldito 'Cristina', que confere ao nome de qualquer pobre coitado um ar mexicano? Sim, idéia da Fátima Cristina Ramalho Lopes. Há!

Eu tinha dez anos quando fomos na estréia da 'Ópera do Malandro', de Ruy Guerra. Gostei do filme, mas pirei mesmo por ter furado a censura de 14 anos. Isso porque eu já tinha os 1,72 atuais, embora o meu riso frouxo ainda não houvesse aparecido. Sim, fui uma adolescente em crise, revoltada, daquelas que não penteavam os cabelos e rabiscavam jeans, mochila, all star. Hoje acho graça das lembranças. Até porque quem passa umas horas comigo hoje não esquece jamais da minha gargalhada. E o poema que ganhei da prima pelos meus 32 anos capta isso tudo muito bem. Vamos lê-lo?

Nascida na terra de ninguém, que foi feita
para todos ou não!
Lá não ficou, pois seu caminho
já estava traçado junto ao mar.
Amando as ondas que lambem a areia
com prazer e cumplicidade.
Assim é a vida de Monica: Prazer e cumplicidade,
esperando o deleite da noite
e desvendando os dias de sol.
E se chover?!
Putz! É uma droga, pois seu carioquês de DNA
fala mais alto e tudo muda.
Brada por lua, estrelas e compactua com o sol.
Com os anos vem ganhando brilho, esboçando
uma doce naturalidade.
Mas o melhor de Monica vem do fundo de sua alma,
uma risada que só ela tem - ela e talvez 'Irene'.
Essa é Monica: Uma mulher autêntica que fala
o que pensa e não apenas pensa, faz.

* Poema de Farofa e foto das prediletas do álbum de família *