9 de outubro de 2008

Densa umidade do ar

A nuvem que, plena, chora
As lágrimas na janela
Te faz parecer aquela
Imagem que tem lá fora.

Você chove dentro, e embora
Nenhuma gota singela
Derrame, é mesmo com ela,
A seco, que inunda agora.

Teriam então diferenças
As duas chuvas imensas?
Enquanto uma escorre, a outra arde

Nos seus olhos tão vermelhos,
Que desenham numa tarde
Janelas mais como espelhos.

* 'Sonetinho para as chuvas', poema de Henrique Rodrigues *

7 de outubro de 2008

Krieger, Maranhão e Sachdev no cardápio sonoro

Eu queria ter disposição para estar em todos os shows do país ao mesmo tempo! É muita oferta boa! Quero ir nestes dois, aqui no Rio de Janeiro: dos compositores e cantores Edu Krieger e Rodrigo Maranhão nesta quarta, dia 8, no Teatro Rival Petrobras, no Centro, no qual festejam dez anos de amizade, e do flautista indiano Gurbachen Singh Sachdev, reverenciado por George Harrison e Ravi Shankar, sábado, 18, na Sala Baden Powell, em Copacabana.


O primeiro tem participação da cantora Anna Luísa e do cantor e flautista PC Castilho que, aliás, vai apresentar em três casas o repertório de seu primeiro álbum solo, 'Vento leste', uma produção independente: dia 30 de outubro no Centro de Referência da Música Popular Carioca, na Tijuca, dia 31 de outubro no Espaço Rio Carioca, em Laranjeiras, e dia 12 de novembro no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes.

Edu Krieger e Rodrigo Maranhão cruzam amanhã os repertórios de seus albuns individuais neste show. Edu canta "Ciranda do mundo", "Temporais" (parceria com Geraldo Azevedo) e "A lua é testemunha", todas gravadas no 'Edu Krieger', relançado pela Biscoito Fino. E Rodrigo, aquelas belezas do 'Bordado' (MP,B), como "Interior", "Recado" e "Pra tocar na rádio".

Aos 73 anos, Sachdev virá ao Rio de Janeiro pela primeira vez, acompanhado pelo tablista Julio Falavigna. Ele foi um músicos que trouxeram a música clássica indiana para o Ocidente, em 1970. Segundo texto enviado pela assessoria, a bansuri "é um instrumento de sopro sem chaves, feito de bambu, afinado cerca de uma oitava abaixo da flauta clássica européia e mais ressonante e flexível em qualidade tonal. Sem chaves para tocar sustenidos e bemóis, tem semitons e quartos de tom produzidos através do controle preciso da abertura com os dedos. O Bansuri é capaz de infinitas nuances de tom, produzindo uma sedutora beleza vocal". Parece lindo, não?

* Fotos de divulgação *

6 de outubro de 2008

Perdi a amiga para o cigarro

Eu sei que quem vem a este blog sabe que vai esbarrar com idéias sobre música, vinho, literatura e outros prazeres, como cinema ou uma boa história. Esta noite, porém, há um pesar. Perdi uma amiga para o tabaco.

Juliana era gaúcha e havia acabado de completar 35 anos. Era mãe da Dâmaris e estava casada com a Bruna. Segurou as pontas até onde pôde. Foram cinco ou seis meses de luta contra um câncer no pulmão, resultado de muito cigarro - três maços por dia, segundo comentários no velório.

Peço licença à família Niehues para usar essas fotos, colhidas como rosas do Orkut da querida Ju. Ainda estou assustada porque não sabia que ela estava doente. Assustada e triste.
Ei, você, apaga esse cigarro, vai...


* Fotos de Priscila Jammal *

5 de outubro de 2008

Manhãs com pedigree

Ah, gente, foi o maior barato entrevistar a Ana Maria Braga! Nunca achei que fosse dizer isso em público, mas adorei o pessoal que faz a entourage dela: a filha Mariana, a produtora Adriana e o maquiador Plínio. E os bichos, claro! A casa onde ela mora é uma graça, ela é super bonita e aqui está o resultado daquela tarde de conversa, na capa da Revista Rossi - mais um trabalho em parceria com a Spring. E a prosa começou assim:

O seu talento como comunicadora é impressionante. Você sempre quis ser jornalista?
Eu queria mesmo era fazer medicina, mas meu pai achava que lugar de mulher é na cozinha. Ele era um italiano durão e tinha 62 anos quando nasci, em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. Eu sou filha única e ele, que pela idade parecia meu avô, queria que eu fosse professora primária para dar aulas nas redondezas, me casar e ter filhos. Ele me proibia de estudar, mas eu fugi duas vezes: uma para me inscrever no vestibular e outra para fazer a prova na Universidade São Paulo.

Leia a matéria completa aqui!

* Foto de Publius Vergilius *

3 de outubro de 2008

A hora de Lavínia

Pois foi nesta madrugada que li até o último suspiro dois livros extraordinários (com títulos de tirar o fôlego): 'Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios', de Marçal Aquino, e 'A hora da estrela', de Clarice Lispector. Ganhei o primeiro de aniversário da amiga Isa Maciel e o segundo comprei há dez anos, embora na época não tenha ficado à vontade para acompanhar o calvário em vida da pobre Macabéa.

O mais interessante é que só notei a oposta complementaridade de Lavínia, a sedutora e desequilibrada personagem urbana de Marçal, e Macabéa, a protagonista agreste, feiosa e ignorante de Lispector, quando os panos já ensaiavam cair. O que Lavínia tem de sobra, falta em Macabéa. E se Lavínia aparenta alguma felicidade ela, na real, padece muito mais do que Macabéa, ignorante de sua infelicidade.

Taí, no mínimo, uma instigante distração literária: procurar no clássico e no contemporâneo o que aproxima e o que distancia essas duas mulheres. Mas tem que ter estômago... ;)

2 de outubro de 2008

'No gargalo': Uma simpática loja de vinhos

Morador do bairro das Laranjeiras, vibrai! A Symposium, aquela simpática loja de vinhos na Rua Ipiranga, foi eleita como o melhor bar de vinhos da Zona Sul carioca por uma pesquisa informal feita pelo pessoal do site enoeventos. Preço, ofertas, comidinhas e atendimento foram os critérios avaliados. E eu, que não sou boba nem nada, fui lá nesta terça-feira pra ver se tudo era verdade, nada mais que a verdade (risos).

Pessoa de sorte eu sou. Reservei minha mesinha e, ao chegar, fiquei sabendo que aconteceria uma degustação de espumantes Gave Geisse (um dos melhores do Brasil para alguns e o melhor na opinião de muitos). Com uma gentileza transbordante, o dono José Hodara me ofereceu uma taça e fiquei ali curtindo um som, lendo um livro, comendo coisinhas. Aliás, lá tem quiche, presunto alemão, picanha defumada, queijos, etc, tudo com preço muito honesto. Gente, vale a pena. Recomendo.

* A autora desta coluna é a super Claudia Holanda *

1 de outubro de 2008

F de Favoretto, Finlândia e França :))

É a amiga Daniela Kvassay, filha do artista plástico Favoretto, quem manda avisar: ele expõe até 15 de outubro na AVA Galleria, que fica em Helsinki, na Finlândia. Ao todo, a mostra 'Flowers to a lady' reúne doze pinturas em técnica de óleo sobre tela, feitas ao longo de 2008, nas quais o pintor retrata o mágico instante que uma mulher recebe flores de um admirador.

Em seguida, os belos quadros embarcam para Paris, na França, onde participam do Salon d'Àutomne, no Espace Auteuil, entre 16 e 26 de outubro. "Vou apresentar um trabalho inédito, 'La Première Medaille d'Ór à Beijing', de 120 x 150 cm, em homenagem aos jogos olímpicos", adianta o artista, celebre morador de Santa Teresa, no site www.favoretto.com


* Obra de Favoretto *