6 de novembro de 2008

'No gargalo': A vida é doce

Posso estar enganada, mas me parece que os vinhos de sobremesa (ou vinhos doces) ainda são poucos conhecidos por estas plagas.

Essa maravilha não tem nada a ver com os vinhos suaves, capazes de nos causar dor de cabeça por uma semana apenas ao tocá-los. São vinhos de qualidade inferior, feitos com uvas de mesa e que recebem adição de açúcar. Baratos, lotam as prateleiras dos supermercados. É bebida de “mulherzinha”, aquela coisa
docinha tipo Martini para a moçoila que está começando na carreira etílica.

Já o vinho doce é outro papo. O processo de produção é trabalhoso e delicado. Exige uvas especiais com alto teor de açúcar natural. A alta concentração de açúcar pode ser obtida através dos métodos de passificação, colheita tardia (late harvest) ou pelo ataque do fungo Botritys cineria, a podridão nobre, que você vê nesta foto abaixo.

Resumindo, é assim:

Passificação – as uvas são colhidas maduras e depois postas em um galpão para desidratar. Elas perdem água e aumenta a concentração de açúcar;

Colheita tardia ou late harvest – as uvas são colhidas após a maturação completa. As bichinhas ficam lá na parreira semanas depois de amadurecerem sendo vítimas também de uma desidratação;

Botritys cineria – esse nome esquisito é de um fungo que ataca a casca das uvas causando furinhos minúsculos. A uva acaba desidratando e também aumentando o açúcar residual. É um fenômeno conhecido como a podridão nobre e não pode ser estimulado ou evitado. O ataque desse fungo só acontece naturalmente, é um presente da natureza para os produtores. Ele se dá na França, na região de Sauternes, e também na Áustria, Hungria e Alemanha. Neste último país, há também os fantásticos vinhos do gelo (eiswein ou icewines). As uvas são colhidas congeladas, em noites de inverno, resultando num vinho doce raro, com alto teor de açúcar e acidez. Todo mundo deveria poder provar a magia de uma garrafa de eiswein!

Há vinhos de sobremesa que estão entre os mais saborosos e caros do mundo. Mas também, com tanta poesia, a gente até entende.

Saúde e paz pra você!

* Foto de Tom Maack *

4 comentários:

monica disse...

ulalá! claudiôlanda veio com força total essa semana :)) me tira só uma dúvida muito bocó: vinhos de sobremesa devem ser bebidos COM ou COMO sobremesa? beijão, minha colunista favorita!

Claudia Holanda disse...

Das duas formas, meu anjo.

Tanto podem acompanhar uma sobremesa (de preferência não muito doce) como também podem ser "A Sobremesa", reinando absoluto.
Vinho de sobremesa também são chamados de vinho de contemplação, pois ele nos convida, após uma boa refeição, a parar um pouco, a sentar e ficar ali agradecendo por estarmos provando-o.

Claudia Holanda disse...

um erro de concordância no segundo paráfrago. Corrigindo:
Vinho de sobremesa também é chamado de vinho de contemplação, pois ele nos convida, após uma boa refeição, a parar um pouco, a sentar e ficar ali agradecendo por estarmos provando-o.


sorry, foi a pressa em responder...

monica disse...

taí mais um item para a minha lista 'todo mundo deveria fazer de vez em quando'. contemplar, nos dias atuais, é raridade como um livro do machado de assis autografado. beijoca!